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Após um caminhão-tanque tombar e matar uma pessoa durante a madrugada desta quarta-feira (14 de março), às margens do Anel Rodoviário, na altura do bairro Goiânia, na região Nordeste de Belo Horizonte, o Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG) alertou sobre os riscos do transporte irregular de combustíveis.
“Infelizmente, este caso é apenas um exemplo dos inúmeros acidentes ocorridos nas estradas de Minas supostamente envolvendo transportadores irregulares de combustíveis, os chamados ‘FOBs’. Além de colocar em risco vidas humanas e o meio ambiente, tal prática tem causado grandes prejuízos ao setor, por conta da concorrência desleal, e também aos cofres públicos, que deixa de recolher os devidos impostos”, denuncia o presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes.
De acordo com a presidente do sindicato, o acidente serve de alerta as autoridades quanto à fiscalização do transporte irregular de cargas perigosas, como o de combustíveis e derivados de petróleo. Ele garante que o Sindtanque já cobrou providências do Governo de Minas e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Audiências públicas sobre o tema também foram realizadas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
“É preciso que as autoridades responsáveis e as distribuidoras de combustíveis tomem medidas urgentes para fiscalizar os FOBs, que costumam estar envovidos em cerca de 90% dos acidentes com o transporte de cargas perigosas. Enquanto os transportadores regulares são obrigados a cumprirem uma série de normas, requisitos e exigências, os ‘FOBs’ ou ‘retiras’ transportam para terceiros, trafegam em alta velocidade, não respeitam os períodos de descanso dos motoristas, não mantém a manutenção dos veículos em dia e deixam de recolher impostos e taxas governamentais. Tudo isso, incentivado e com a conivência de grande parte das distribuidoras e sem qualquer fiscalização dos órgãos públicos”, critica Irani.
Relembre o acidente com caminhão-tanque no Anel Rodoviário
Um caminhão-tanque que estava carregado com 23 mil litros de combustíveis tombou na MGC–262 (antiga MG–05), às margens do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. O Corpo de Bombeiros foi chamado e, ao chegar, encontrou o caminhão tomado pelo fogo e o motorista carbonizado. O tanque carregava 23 mil litros de líquido inflamável, sendo 10 mil de gasolina, 10 mil de diesel e 3.000 de álcool. Cerca de 30% dos combustíveis ficaram retidos dentro do tanque.
Por conta do rastro de combustível, altas labaredas se formaram e se alastraram por todo o trajeto feito pela carga líquida, atingindo residências, comércios, veículos e uma fábrica. Segundo os militares, a linha de fogo sobre o combustível percorreu cerca de três quarteirões, se espalhando conforme os declives da via.
Quatro residências foram completamente queimadas, além de outros quatro imóveis que tiveram a fachada e outros cômodos parcialmente danificados. Dez veículos também foram atingidos. Desses, quatro carros e duas motos não poderão ser reaproveitadas (perda total), e o restante teve danos parciais. Ao menos nove moradores ficaram feridos e foram socorridos para o hospital. O motorista, de 54 anos, morreu carbonizado.
Na tarde desta quinta-feira (14 de março), quatro dos nove feridos levados para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII receberam alta. A empresa JBretas, dona do caminhão-tanque, lamentou o acidente.
“É com imensa consternação e tristeza que recebemos a notícia do acidente ocorrido. Lamentamos profundamente, principalmente as vítimas. Nossa transportadora nunca teve um único acidente em sua história. Nosso motorista era experiente e devidamente habilitado a fazer este tipo de transporte. Salientamos que estamos procurando todas as vítimas e familiares para dar a assistência necessária, ressaltando também que nossa seguradora já foi acionada”, escreveu.
