Gás natural terá adição de até 10% de biometano, em derrota para a Petrobras, e indústria reage
20 de março de 2024Substituição do petróleo deve levar mais de 50 anos, diz Jean Paul Prates
20 de março de 2024Maior cooperação aceleraria exportação de etanol, diz diretor da S&P Global
O etanol brasileiro tem espaço para crescer mais no comércio global, à medida que o consumo de gasolina se aproxima de seu pico, disse o diretor de Downstream da S&P Global para a América Latina, Felipe Pérez, em entrevista ao estúdio epbr durante a CERAWeek 2024, da S&P Global, no Texas.
Ele destaca que a tecnologia dos veículos flex já está estabelecida e que o Brasil pode se valer de sua experiência no mercado de biocombustíveis para ter “um papel mais internacional”. Para isso, Pérez defende a importância das parcerias.
“A gente está vendo algum avanço, isso a gente viu na questão do etanol: o Brasil, os Estados Unidos e a Índia fazendo uma aliança para tentar desenvolver mais partes de etanol e combustíveis, mas ainda falta muito para a gente fazer acontecer”, disse.
Em setembro do ano passado, em encontro lateral à cúpula do G20 na Índia, os países selaram um acordo para criação da Aliança Global de Biocombustíveis (GBA, na sigla em inglês). Proposta pelo país sede, tem Brasil e EUA como cofundadores e atraiu a assinatura de Cingapura, Bangladesh, Itália, Argentina, Ilhas Maurício e Emirados Árabes Unidos.
Na ocasião, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva cobrou a adoção do etanol em países ricos. O objetivo da aliança é “acelerar a adoção global de biocombustíveis por meio da facilitação de avanços tecnológicos” – definição de padrões; certificação; criação de um repositório central de conhecimento e especialistas.
Brasil precisa de eficiência na infraestrutura para novas energias
Pérez comentou também que, no contexto da transição energética, o Brasil precisa olhar para sua capacidade de atração de capital para infraestrutura de escoamento dos novos combustíveis. Ele lembra que o domínio e a dependência de um único player – a Petrobras – criaram, historicamente, certos impedimentos para expansão da infraestrutura.
“A gente precisa ganhar eficiência, porque não adianta você fazer o hidrogênio da melhor maneira possível. De qualquer cor. O Brasil tem o menor custo para fazer hidrogênio. Como chegar no consumidor? A gente vai transportar hidrogênio do caminhão, como a gente faz por diesel para o Brasil?”, questionou.
O Brasil, segundo Pérez, o Brasil precisa se atentar para as janelas de oportunidade, sob o risco de perdê-las.
“Vamos pensar no combustível do futuro? Ok. Então, como trazer todos esses setores, desde a geração, da demanda, e o elo entre esses dois? Como a gente conecta? Qual é a infraestrutura? Quais são os dutos que a gente tem? Quais são os modos de transporte para essa nova energia?”, complementou.
Pérez conta que os desinvestimentos da Petrobras no refino, caso tivessem sido concluídos, poderiam ter ajudado a criar um ambiente mais propício para outras linhas de investimento – como, por exemplo, polidutos e biorrefinarias:
“Agora, independente de desinvestir ou não, se a gente vai manter o monopólio, acho que a questão principal daqui para frente é qual é o custo do Brasil do refino… Acho que se é Petrobras ou se é o privado o refinador, acho que falta essa discussão. O refino no Brasil é competitivo ou não?”, comentou.
