Antonio Pita, Fernanda Nunes e Idiana Tomazelli
Após uma semana de mobilização, a greve dos petroleiros já reduziu emmais de 700 mil barris a produção de petróleo da Petrobrás. Ontem, a estatal reconheceu novas perdas e “casos isolados” de ocupações em suas unidades. Os trabalhadores realizaram bloqueios em refinarias, o que afetou a produção e pode ampliar os impactos sobre a produção de combustíveis.
Para a empresa, não há, até o momento, risco de desabastecimento, mas internamente a avaliação é que a situação pode piorar na próxima semana, caso haja paralisação de caminhoneiros, o que prejudicaria a entrega de combustíveis aos postos.
Somente ontem, a greve reduziu em 127 mil barris a produção de petróleo em comparação às médias diárias anteriores à greve. Na quarta-feira, a redução chegou a 134 mil barris. Para a estatal, o plano de contingência adotado “tem conseguido reduzir os impactos” sobre as operações. “Há casos isolados de ocupação de instalações e controle da produção, sem permissão para que as equipes de contingência atuem. A companhia está tomando as medidas jurídicas cabíveis para resguardar seus direitos”, disse o comunicado.
A greve foi debatida em reunião de coordenação política comandada pela presidente Dilma Rousseff, na terça-feira. Segundo ministros que participaram do encontro, a principal preocupação de Dilma é que a paralisação dos petroleiros acelere um possível rebaixamento da nota de classificação da Petrobrás pelas agências de classificação de risco e ainda contamine a nota brasileira. Na quarta-feira, a agência Standard & Poor’s avaliou, porém, que não há risco “neste momento”.
Produção. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que coordena as mobilizações, já há impactos na produção nas duas principais refinarias, em Duque de Caxias (Reduc), no Rio, e Paulínia (Replan), no interior paulista. Com bloqueios e piquetes de sindicalistas, as unidades teriam dificuldade para receber matérias-primas e teriam reduzido a produção de coque, subproduto usado no refino do petróleo. Também há impactos na operação de outras refinarias, usinas termoelétricas, terminais de distribuição e em 48 unidades na Bacia de Campos.
Com a parada nas refinarias, o temor é que haja impacto sobre a produção de diesel e gasolina. Até o momento, o desabastecimento de combustíveis é descartado pela Petrobrás, que teria estoques para suportar o movimento por até 30 dias, a depender do produto, segundo fontes da própria empresa.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) avalia que, até o momento, não há riscos ou incidentes relacionados à falta de combustíveis. “Não temos preocupações até sábado. Agora, a greve está afetando a produção nas refinarias e podemos ter problemas em meados da semana que vem”, disse o diretor de Abastecimento, Luciano Libório.
Nas distribuidoras, há ainda a preocupação com a possibilidade de paralisação dos caminhoneiros, convocada pelo Comando Nacional do Transporte (CNT) para segunda-feira. “A soma de duas greves pode causar um problema sério. Mas é claro que tudo depende do tempo de duração dos dois movimentos. Acompanhamos as notícias com preocupação”, afirmou o diretor de Planejamento Estratégico do Sindicom, Helvio Rebeschini.
São Paulo
– Terminais de Barueri e Guararema: paralisados
– Recap, RPBC e Replan: operadas por equipes de contingência, com produção de coque reduzida
Mato Grosso do Sul
– Usina Termoelétrica Luis Carlos Prestes: paralisada
Minas Gerais
– Usina de Biodiesel de Montes Claros: operação reduzida
– Regap e na Termoelétrica Aureliano Chaves: entregue à equipes de contingência
Pernambuco
– Terminal de Suape e na Refinaria Abreu e Lima: operação com equipe de contingência; trabalhadores sem troca de turno há três dias
Amazonas
– Reman e Terminais de Coari e Solimões: operações reduzidas e equipes sem rendição nos turnos
Rio Grande do Sul
– Terminais Tedut, Terig e Tenit (Transpetro): operação reduzida em 80%
– Refap e da Termoelétrica Sepé Tiaraju: sem trocas de turno
Paraná
– Tepar (Paranaguá): operação reduzida
– Repar: unidades mantidas por equipes de contingência
– Fafen: produção paralisada
Santa Catarina
– Tefran (São Francisco), Temirim (Guaramirim), Teguaçu (Biguaçu), Tejaí (Itajaí): operações paralisadas
Colaboraram Igor Gadelha e Vinicius Neder





